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Vomitory confirma novo álbum “In Death Throes”, libera single e reforça posição histórica no death metal

Com lançamento marcado para 10 de abril pela Metal Blade Records, o décimo álbum da veterana sueca chega após uma fase intensa de turnês, mudanças na formação e a promessa de elevar ainda mais a brutalidade que consolidou a banda como referência do gênero.

· 28/02/2026 · 06:43 · 9 min · 1,198
Vomitory confirma novo álbum “In Death Throes”, libera single e reforça posição histórica no death metal
Foto: Arquivo

Em qualquer análise minimamente séria sobre a história e a evolução do death metal europeu, o nome do Vomitory surge como referência obrigatória. Formada em 1989, na Suécia, a banda construiu uma trajetória marcada por consistência estética, agressividade sonora e fidelidade a uma proposta musical extrema, direta e sem concessões. Entre 1996 e 2011, o grupo lançou oito álbuns de estúdio que ajudaram a consolidar sua reputação como um dos nomes mais sólidos e respeitados do death metal escandinavo. Após encerrar suas atividades em 2013, o Vomitory parecia ter concluído sua trajetória. No entanto, a pausa foi breve em termos históricos. Em 2019, a banda retornou aos palcos para celebrar seus trinta anos de existência, reativando uma máquina criativa e performática que, desde então, voltou a operar em alta intensidade.

Agora, após o retorno em estúdio com All Heads Are Gonna Roll, lançado em 2023 e amplamente recebido como um reencontro bem-sucedido com a essência da banda, o Vomitory prepara mais um capítulo de peso em sua discografia. O grupo anunciou oficialmente o álbum In Death Throes, que será lançado em 10 de abril pela Metal Blade Records. O trabalho representa o décimo disco de estúdio da carreira da banda e chega acompanhado de uma primeira amostra já disponibilizada ao público: o single For Gore And Country. A nova faixa funciona como cartão de visitas de um álbum que, segundo os próprios integrantes, mantém a identidade clássica do Vomitory, mas com uma abordagem ainda mais intensa e afiada.

A formação atual do grupo reúne Erik Rundqvist nos vocais e baixo, Urban Gustafsson na guitarra, Christian Fredriksson na guitarra solo e Tobias Gustafsson na bateria. Trata-se de uma configuração que preserva a espinha dorsal da banda ao mesmo tempo em que incorpora de forma definitiva um novo elemento criativo na linha de frente instrumental. Essa formação tem papel central no momento atual do Vomitory, especialmente porque In Death Throes não surge como um álbum isolado, mas como resultado direto de um ciclo contínuo de atividade ao vivo, adaptação interna e renovação composicional.

Depois do lançamento de All Heads Are Gonna Roll em maio de 2023, a banda entrou imediatamente em uma agenda intensa de apresentações. O Vomitory passou pela temporada de festivais europeus, com participações em eventos de grande visibilidade dentro da cena extrema, como Obscene Extreme, Alcatraz Open Air e Hellsinki Metal Festival. Em seguida, o grupo ainda teve a responsabilidade de abrir a turnê europeia de quarenta anos do Vader, uma das instituições mais respeitadas do death metal do continente. O encerramento desse ciclo ocorreu com uma apresentação no Mexico Metal Fest, em Monterrey, consolidando um período de forte exposição internacional e reafirmação de relevância artística.

Esse show no México, porém, também marcou o encerramento de uma fase interna importante. Foi a última apresentação do guitarrista Peter Östlund com a banda. De acordo com o próprio grupo, a separação ocorreu em ótimos termos, motivada pela dificuldade de Peter em acompanhar a agenda de shows. A transição, no entanto, não representou ruptura criativa ou perda de estabilidade. Christian Fredriksson, que já havia contribuído parcialmente durante as gravações de All Heads Are Gonna Roll, assumiu o posto de guitarrista nos shows ao longo de 2024, consolidando gradualmente sua integração à dinâmica da banda. Em janeiro de 2025, ele foi oficialmente anunciado como novo guitarrista solo do Vomitory, formalizando uma função que, na prática, já vinha exercendo com eficiência desde o final de 2022, quando gravou a maior parte dos solos do álbum anterior.

A intensidade da agenda não diminuiu após 2023. Em maio de 2024, o Vomitory retornou aos Estados Unidos depois de um longo período sem tocar no país, realizando uma apresentação muito elogiada no Maryland Deathfest, em Baltimore. Na sequência, a banda voltou a circular por festivais europeus e, em agosto do mesmo ano, regressou aos Estados Unidos para shows em Chicago e Nova York. O calendário prosseguiu com uma breve turnê pela América Latina em outubro, passando por México, Costa Rica, Colômbia e Chile. Esse volume de atividade ajuda a explicar por que In Death Throes surge com uma energia tão agressiva e imediata: o álbum foi gestado por uma banda em movimento, plenamente ativa, testada ao vivo e artisticamente afiada.

Segundo o baterista Tobias Gustafsson, embora o novo disco preserve o som inconfundível do Vomitory, a proposta desta vez é ampliar a intensidade do que já havia sido apresentado no trabalho anterior. Em sua avaliação, In Death Throes retoma exatamente de onde All Heads Are Gonna Roll parou, mas com um nível adicional de pressão e impacto. Tobias destaca que Christian Fredriksson encontrou rapidamente seu espaço no grupo e contribuiu musicalmente para quatro faixas do novo álbum. Essa participação amplia a diversidade do disco sem descaracterizar a fórmula pela qual o Vomitory é reconhecido. Em termos práticos, isso sugere um álbum que mantém o núcleo brutal, direto e cortante da banda, mas com nuances de construção e dinâmica que evitam repetição automática.

O processo de composição teve início no verão de 2024 e nasceu de forma espontânea, em sessões de criação conduzidas por Tobias Gustafsson e Erik Rundqvist. Segundo o relato da banda, os primeiros esboços surgiram em momentos de improvisação regados a cerveja, dentro de um ambiente descontraído, porém produtivo. A primeira faixa a tomar forma foi “Two and a Half Men”, seguida pela abertura do álbum, “Rapture in Rupture”. A partir desse ponto, a composição passou a seguir um modelo mais coletivo. Cada integrante contribuiu para os arranjos, e as músicas foram refinadas em conjunto na sala de ensaio antes de serem definitivamente fechadas. Esse método reforça uma característica histórica do Vomitory: embora a banda tenha uma identidade muito definida, sua força vem da coesão entre os membros e da capacidade de transformar ideias brutas em faixas estruturadas com precisão.

No campo lírico, Erik Rundqvist mantém a assinatura que sempre acompanhou o nome do Vomitory: letras marcadas por imagens de gore, violência e decomposição, em linha com a tradição estética do death metal mais extremo. Ainda assim, In Death Throes introduz alguns toques mais contemporâneos, sem abandonar a brutalidade temática que o público espera. Essa combinação entre fidelidade e atualização parece ser um dos eixos centrais do novo trabalho. O álbum não tenta reinventar artificialmente a banda, mas tampouco se limita a repetir mecanicamente fórmulas antigas. Há, ao contrário, um esforço claro de evolução interna, controlada e coerente com a identidade construída ao longo de décadas.

As gravações de In Death Throes ocorreram no final de 2025, em diferentes estúdios da Suécia, com uma divisão técnica que demonstra planejamento e especialização em cada etapa do processo. A bateria e os vocais foram registrados no Leon Music Studios, em Karlstad, sob produção e engenharia de Rikard Löfgren, profissional que já havia trabalhado com a banda em discos como Terrorize Brutalize Sodomize, Carnage Euphoria e Opus Mortis VIII. As guitarras e o baixo foram gravados no Goff Studios, também em Karlstad, com Christian Fredriksson assumindo a engenharia nessa etapa. Já a mixagem e a masterização ficaram novamente nas mãos de Lawrence Mackrory, no Rorysound Studios, em Uppsala. O resultado, segundo a própria proposta do grupo, é um som pesado, esmagador e massivo, mas que ainda preserva espaço e respiração suficientes para que cada elemento instrumental mantenha definição e impacto.

No aspecto visual, o novo álbum também preserva colaborações já consolidadas. A arte de In Death Throes mantém a parceria com Giannis Nakos, da Remedy Art Design, nome reconhecido por sua estética detalhada e sombria, compatível com o universo imagético da banda. O layout do disco leva a assinatura de Seiya Ogino, da Ogino Design. Essa continuidade visual reforça uma percepção importante: o Vomitory trata cada lançamento não apenas como um conjunto de músicas, mas como um produto artístico completo, em que identidade sonora e apresentação gráfica atuam de forma complementar.

Mais do que apenas anunciar um novo trabalho, o Vomitory parece reafirmar, com In Death Throes, sua permanência entre os nomes mais relevantes do death metal clássico. Poucas bandas conseguem atravessar décadas, encerrar atividades, retornar, recuperar credibilidade em estúdio e ainda manter uma agenda internacional robusta sem perder contundência. No caso do quarteto sueco, o novo álbum surge como prova de continuidade, mas também de vigor renovado. O single For Gore And Country já antecipa esse caminho: uma sonoridade agressiva, sólida e alinhada à tradição da banda, com sinais claros de que o Vomitory continua plenamente capaz de produzir material à altura de sua própria história. Para uma banda cuja presença é obrigatória em qualquer debate sério sobre death metal, In Death Throes não se apresenta como mero lançamento de catálogo, mas como mais um movimento relevante de uma instituição que segue viva, ativa e artisticamente perigosa.

Joás Sanct

Fundador do webcast GARAGE BAND, headbanger, produtor cultural, amante do 'underground', WEBDeveloper

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